Criar software com IA ficou mais fácil, garantir segurança virou novo desafio

Por: Ana Paola – A popularização da inteligência artificial acelera o desenvolvimento, mas amplia a necessidade de proteger sistemas, dados e usuários contra novas vulnerabilidades. Criar um sistema, aplicativo ou ferramenta digital já não exige necessariamente começar por milhares de linhas de código. Com o avanço da inteligência artificial, profissionais podem descrever em linguagem comum […]

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Por: Ana Paola – A popularização da inteligência artificial acelera o desenvolvimento, mas amplia a necessidade de proteger sistemas, dados e usuários contra novas vulnerabilidades.

Criar um sistema, aplicativo ou ferramenta digital já não exige necessariamente começar por milhares de linhas de código. Com o avanço da inteligência artificial, profissionais podem descrever em linguagem comum o que desejam construir e deixar que ferramentas de IA executem boa parte da programação.

Essa forma de desenvolvimento, conhecida como vibe coding, vem ganhando espaço por permitir que ideias sejam transformadas rapidamente em protótipos e aplicações funcionais. A mesma velocidade, porém, levanta uma questão importante dentro das empresas, quem verifica se aquilo que foi criado também é seguro?

Para Mathews Cruz, especialista em segurança da informação, governança, riscos e inteligência artificial aplicada, a tecnologia representa uma evolução relevante para o mercado, mas exige que os mecanismos de proteção acompanhem o novo ritmo de desenvolvimento.

“Estamos diante de uma mudança muito grande na forma de desenvolver tecnologia. A inteligência artificial permite que mais pessoas transformem uma ideia em uma aplicação, mas isso não significa que o resultado esteja automaticamente seguro”, explica Mathews.

Fundador da Akuris, plataforma brasileira de governança, riscos e conformidade, e da Nexure Consulting, Mathews reúne mais de dez anos de experiência em segurança da informação, com atuação em setores como energia, educação, saúde e fintechs.

Segundo o especialista, o risco não está no uso da inteligência artificial para escrever código. O problema surge quando aplicações desenvolvidas rapidamente começam a operar sem uma avaliação adequada de segurança.

“Criar uma aplicação ficou muito mais fácil, mas avaliar se ela pode ser utilizada com segurança continua sendo uma responsabilidade humana. A velocidade da criação não pode eliminar a etapa de validação”, afirma.

Falhas de configuração, acessos além do necessário, exposição de dados e vulnerabilidades podem passar despercebidos, principalmente quando quem utiliza a IA não possui experiência aprofundada em segurança digital.

Ao mesmo tempo, o vibe coding amplia o número de pessoas capazes de desenvolver soluções. Profissionais de diferentes áreas podem criar ferramentas internas, automatizar tarefas ou testar novos produtos sem depender integralmente de uma equipe tradicional de desenvolvimento.

Para Mathews, essa democratização pode representar um importante ganho de produtividade. A atenção precisa aumentar quando essas aplicações passam a acessar informações corporativas ou se conectar a sistemas críticos.

“Uma aplicação aparentemente simples pode se tornar um ponto de entrada para um problema maior quando começa a acessar dados corporativos. É nesse momento que segurança precisa fazer parte do desenvolvimento desde o início”, destaca.

A própria experiência do especialista com automação mostra o potencial dessa transformação. Em projetos realizados ao longo de sua carreira, soluções baseadas em inteligência artificial e agentes autônomos contribuíram para gerar mais de R$ 1 milhão em economia orçamentária.

“Não faz sentido pedir para as empresas desacelerarem justamente quando a tecnologia pode aumentar produtividade e inovação. O caminho é criar controles que acompanhem essa velocidade”, diz.

Nesse novo cenário, segurança tende a deixar de ser uma verificação realizada somente quando um sistema está pronto. Controle de acessos, proteção das informações, identificação de vulnerabilidades e gestão de riscos passam a acompanhar todo o processo.

“Quanto mais fácil fica criar tecnologia, mais importante se torna estabelecer regras simples para verificar o que foi criado. A inteligência artificial pode acelerar o trabalho, mas a governança precisa acompanhar essa aceleração”, conclui Mathews Cruz.

A tendência, segundo o especialista, não é uma disputa entre desenvolvedores e inteligência artificial, mas uma integração cada vez maior entre profissionais, ferramentas capazes de produzir código rapidamente e processos de segurança preparados para essa nova realidade.